I Concurso de Minicontos Autores S/A

O objetivo desse certame é estimular a criação de minicontos na língua portuguesa, reforçando ainda mais esse momento literário dos dias atuais, descobrir e publicar novos talentos da área.

Antologia Poesia.com

A antologia poética “Poesia.com” reúne os melhores poemas do Iº Concurso de Poesia Autores S/A. Destacando-se poesias sobre o sertão, o amor e o sexo, e haicais de muita qualidade.

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I Concurso de Minicontos Autores S/A

O objetivo desse certame é estimular a criação de minicontos na língua portuguesa, reforçando ainda mais esse momento literário dos dias atuais, descobrir e publicar novos talentos da área.

Bolão Autores S/A: Oscar 2013 !

Você é amante da Sétima Arte? Então participe desse Bolão! Clique na imagem e leia o regulamento completo! Boa sorte a todos!!

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A GRANDE FINAL - OS 04 MINICONTOS



É CHEGADO O GRANDE MOMENTO...

FORAM 747 INSCRITOS, DE TODO O BRASIL E DE VÁRIAS PARTES DO MUNDO...

MAIS DE UM MÊS DE COMPETIÇÃO...

A CADA SEMANA, UM NOVO DESAFIO...

NOVOS JURADOS, NOVAS CRÍTICAS...

CORTES DIFÍCEIS...

ANIMA BREVIS
(EQUIPE OS CONTIDOS)

CASTEL
(EQUIPE OS CONTIDOS)

RAMON RUFO
(EQUIPE RAPIDINHOS)

REGIS GUERRA
(EQUIPE INSÓLITOS)


QUEM SERÁ O GRANDE VENCEDOR?


APRESENTAMOS:

A GRANDE FINAL DO
I CONCURSO DE MINICONTOS AUTORES S/A



O Brasil é um celeiro de escritores talentosos. Do Norte ao Sul, despontam novos escritores todos os dias, revelando seus trabalhos em blogs, redes sociais, concursos, até chegar a tão sonhada publicação impressa. Mais de 700 brasileiros apostaram no I Concurso de Poesia Autores S/A e nós, organizadores e jurados, também apostamos em cada um, depositando confiança, incentivando, ensinando. E aprendendo, claro. E se surpreendendo.
Pra sobreviver nesse concurso, é preciso coragem. É preciso ser bom. E, aos que hoje figuram na Final, só podemos dizer: sim, meus caros, vocês são bons. Muito bons.
Temos um panorama interessante nesta Final: das 5 regiões brasileiras, 4 estão representadas: Sul (Regis Guerra), Sudeste (Castel), Centro-Oeste (Anima Brevis) e Nordeste (Ramon Rufo).
A guerra dos sexos permanece: há, entre os 4 guerreiros, uma única mulher. As escritoras, durante todo o concurso, foram minoria. Entretanto, será que esta estatística será posta abaixo com a vitória de uma mulher?
Em relação às equipes, a única que não está sendo representada, nesta Final, é a equipe da jurada Leila Míccolis (Max Minis). Contudo, ela participará da Final, julgando os quatro minicontos desta etapa.

Que tal, agora, relembrarmos as trajetórias de cada um dos finalistas? Todos os minicontos produzidos por eles, até aqui. Vamos nessa?


RETROSPECTIVA DE...


RAMON RUFO
(De Riachão do Jacuípe, Bahia. 24 anos de idade).


Título: Elo familiar

Depois do banho, pai e filha se sentiram mais sujos do que nunca.

Título: Flores

Era piloto de caça. Cortava os céus a mais de dois mil pés. Foi encontrado em casa, com os pés a dois metros do chão.

Título: Fiscal de Fronteira

Intrigado, decidiu investigar o rapaz que, todos os dias, atravessava a fronteira com um carrinho repleto de caixas de papelão. Foi inútil. Todas vazias.
Só descobriu o crime quatro anos depois: tráfico de caixas de papelão.

Título: Indício Oculto

         A casa estava vazia. Nenhum rastro do assassino. Mesmo assim, o detetive desconfiou do mordomo cego.


Título: Militante

Queria mudar o Brasil. Mas engajou-se numa causa sem efeito.

Título: Ultimato

“se eu te pegar com aquela vagabunda te mato”
Não faltou aviso. Faltou bateria.

Título: Sábado, duas da manhã

Continuou de olhos fitos na garota, que parecia retribuir-lhe o interesse, espantosamente. Por fim, deixou escapar um grito abafado, enquanto subiam os créditos.

Título: O azar é dos expulsos

Tivessem eles sido tagarelas e novas suspeitas seriam levantadas. Uma pequena fagulha era quanto bastaria para atear novo incêndio ao caráter genioso do dono do cassino. Preferiram, portanto, os dois trapaceiros, guardar silêncio a respeito da falha no caça-níquel.



RETROSPECTIVA DE...


ANIMA BREVIS
(De Brasília, Distrito Federal. 56 anos).


Título: Tudo fake, com “f” de f...
                          
Passou mal na quarta-feira de cinzas, agarrado às tetas fake de uma loira fake. Desmaiou na avenida, sobre poças de cerveja e mijo, aos gritos de “morreu, morreu!”. Só soube que ainda estava vivo quando abriu os olhos e viu simpáticos serafins e querubins mimosos dançando valsa ao seu redor. Sorriu feliz. Estava apenas desacordado. Se estivesse morto, haveria chifres, cascos, choro e ranger de dentes. E um cheiro terrível de enxofre. E um rock’n roll do cacete! Não, não era a morte. Era só um céu fake.

Título: Feriado

Sete de setembro. Aquartelados no morro, soldados sem farda traficam por independência ou morte. 

Título: Sua bênção, pai, mãe

Óleo sobre tela. Olhos sobre tela. E aqui estou eu, nas paredes entulhadas da nossa casa vazia, eternamente inesquecível em matizes de angústia. Tivessem observado, pai, mãe; tivessem mergulhado nos meus olhos oblíquos de desespero ou percebido o grito mudo dos meus lábios apertados e talvez não houvesse me alcançado a depressão dos bibelôs. E não estaria morando entre vocês, em vocês este remorso que não basta. Nem seríamos, eu e vocês, ângulos opostos pelo vértice da dor. Meus olhos fixos, frios, mortos não estariam aqui, testemunhando para sempre tantos passos de culpa. Estaríamos sentados à mesa ou na varanda fresca, entre paredes libertas de mim. E eu lhes pediria a bênção, pai, mãe.

Título: Automutilação

Lembrou as chagas do Cristo na procissão do Senhor Morto e entregou-se em frenesi ao fio da navalha.

Título: Você sabia?

Num bar, primeiro encontro, Pedro conversa com Mariana:
— Bonito dia, não?
— Com toda essa chuva?
— Você sabia que o monte Waialeale, no Havaí, é o lugar que mais chove no mundo? E é maravilhoso!
— Ah...
— E tem a Amazônia, também. Chove demais. A umidade do ar por lá é uma coisa de louco! E a Amazônia é linda, você sabia?
— Ah...
— Chuva é bom pra tudo. Você sabia que até acalma gente com transtorno mental?
— Ah...
Em casa, ao fim do primeiro encontro, Pedro pensa: "Que mulher idiota!".  Mariana pensa: "Que homem idiota!". Pouco antes de rolar um sexo selvagem. Maravilhoso. Lindo. E em silêncio.
Sexo acalma mais que chuva. Você sabia?

Título: Acabou

Pedro, acabou faz uma hora. Deu tudo certo. Não tem mais nada dentro de mim. A única coisa que nos une de agora em diante é este vermelho nas nossas mãos.
                                                                                              17h32, 20 dez


Título: Fonte dos desejos

Na Fontana Di Trevi, jogou uma moeda por cima do ombro esquerdo, esticando com vírgulas, em tom de deboche, um pedido-mantra: "Que eu fique eternamente jovem, que meu peso nunca aumente, que meus seios jamais caiam.". Amanheceu manequim.

Título: Politicamente incorreto

No balcão do bar, cheio de si, gabou-se para os amigos: "Comi duas pretas de uma vez só.". Mal falou, foi imediatamente chamado de racista e de machista pelas duas moças ao seu lado, que se afastaram, indignadas. Nem teve tempo de concluir: "E venci o jogo fazendo mais uma dama.".


RETROSPECTIVA DE...


REGIS GUERRA
(De Curitiba, Paraná. 31 anos de idade).

Título: A amazona

A guerreira persegue um jovem pela campina. Ele tropeça em uma pedra e se estatela no chão. Ela salta da montaria e aperta seu pequeno pé sobre o peito do rapaz. A vulva é desvelada. Ela monta, agora, em sua presa e cavalga com violência. Saciada, ela retorna à aldeia. O gozo escorrendo pelas coxas. Do mancebo, pela garganta, escorre um gozo outro – rubro. A beldade e sua natureza bélica.

Título: A Sanfona

         O menino ganhou uma sanfona, presente de seu pai. Um dia, ele esqueceu o objeto, tão querido, no quintal. Pela manhã, o instrumento coberto pela geada – velado e gelado. Fole e gelo comungaram, sim-fonia e não-fonia mesclaram-se. Depois disso, a voz do instrumento ficou mais triste e cortante. O fôlego do fole parecia ser capaz de fazer o minuano soprar mesmo fora de época. Já não era mais sanfona, pois perdeu o que tinha de sã nas núpcias entre som e clima.

Título: O bastardo

Há trinta anos, uma palmada o fez chorar. E respirou pela primeira vez.  
Há trinta anos, uma mulher, em coma, deu à luz um menino.
Há trinta anos, um criminoso anônimo. Um pai que se ignora.
Há trinta anos, o menino chora.

Título: Masturbautor

         Eu faço questão de escrever tudo manuscrito. Adoro os tentáculos da mão envolvendo meus textículos.

Título: Ornito(oníro)fobia

Soltou o canarinho no quarto assombrado. Afugentou os espantalhos de seus sonhos.

Título: Ilha Deserta

Estou SÓ e sem SOS. Essa prece, parece, é meu último SMS.

Título: Visita

Um dia, Deus decidiu baixar na terra. Esperava que sua aparição arejasse a empoeirada alma humana. Para demonstrar predileção pelos mais simples, decidiu que sua chegada seria no pequeno município de Avejão.
Os céus se abrindo, luz dourada, trombetas de anjos - Deus usou todos os clichês para que as pessoas o reconhecessem imediatamente. Ao chegar, entrou na primeira construção que avistou – uma repartição pública. Entrou flutuando, envolto em luzes. Convocou as pessoas. Outra vez os clichês: sua voz, seguida de raios e trovões, fez a sala tremer. Em vão. Havia apenas um homem ao canto que não deixou de pitar seu cigarro e bebericar seu café. Indignado, Deus indagou: “Não temes diante de minha sagrada presença?”. O homem deu mais uma tragada em seu cigarro, bebericou outro gole do copo plástico e respondeu: “Lamento senhor, aqui nada é mais sagrado do que a hora do cafezinho”.   

Título: Cabaré

Roubou nas cartas, acabou no xadrez. Nem viu as damas.


RETROSPECTIVA DE...


CASTEL
(De Maricá, Rio de Janeiro. 31 anos de idade).

Título: Entradas e saídas

Entrei no bar. Troca de olhares, beijinho no rosto. Saímos do bar. Entramos no táxi. Carícias, beijo na boca. Saímos do táxi. Entramos no motel. Nudez, mão no sexo, flacidez, risada, escárnio, piada, empurrão, chute nas costas, soco na cara, gritos. Saímos do motel. Entrou na ambulância. Entrei na viatura policial.

Título: O Abraço

Desconheciam-se até aquele dia. E, no entanto, quando os bombeiros finalmente abriram a porta do elevador acidentado, encontravam-se agarrados num fraternal abraço retorcido de seus corpos ensanguentados.

Título: Uma Mulher Dividida 

Imaginava-se dançando para uma grande plateia num palco imponente. Assim desligava a cabeça enquanto seu corpo era tocado e subjugado por estranhos em quartos de motéis sujos ou no interior de automóveis estacionados em ruas de pouco movimento. Enxergando-se na bailarina de sua fantasia, escapava da miséria de sua vida. Dividida entre o inferno em seu corpo e o paraíso em sua mente.

Título: Todas as Letras

Em dezessete anos foram dos bilhetes apaixonados em sala de aula à papelada do divórcio no tribunal.

Título: Faro Jornalístico

Escreveu para o site de fofocas reclamando que o mesmo estava o dia todo sem atualizações e que, se não fizessem algo a respeito, nunca mais voltaria lá. Três minutos depois, uma nova manchete surgiu no site: “Leitora revoltada ameaça nos abandonar”.

Título: Fora da História

“Funcionou. Estou no futuro!”, dizia a mensagem no telefone celular que tive que destruir em seguida. E, silenciosamente, comemorei aquela grandiosa — porém incógnita — conquista científica.

Título: Vendido

No dia em que decidiu vender a loja de roupas abraçou a manequim que estava lá havia quinze anos e chorou em seu ombro. Ela não tinha vida, mas ele tinha uma vida com ela.

Título: Mais e Mais

Perdeu tudo jogando no cassino. Tudo, menos a vontade de continuar jogando.


MINICONTOS DA GRANDE FINAL (TEMA LIVRE)


Pseudônimo: Anima Brevis
Título: Vestida para matar

No closet, separou seus números prediletos. Armani n° 36, Louboutin nº 38, Chanel nº 5, Taurus calibre 22.

Pseudônimo: Castel 
Título: Natimorto

Apertou o pequenino cão contra o peito, como se faz com um bicho de pelúcia. Porque o cão, como um bicho de pelúcia, não tinha qualquer sinal de vida.

Pseudônimo: Ramon Rufo
Título: Mofina Mendes

Casou-se com um ricaço que lhe tirou das ruas.
Um automóvel invadiu a calçada.

Pseudônimo: Regis Guerra
Título: Viúva ao revés

Rejeitado pelo diabo: “Cumpriste a pena em vida, meu caro”. Voltou de mala e cuia pra casa da diaba.

Vamos relembrar as biografias dos nossos 04 grandes finalistas?

CASTEL

Moro em Maricá, Rio de Janeiro. Me inscrevi no concurso porque costumo participar de concursos literários e, recentemente, passei a me aventuras nos minicontos. Foi a oportunidade ideal para testá-los. Meu pseudônimo vem de “Juan Pablo Castel”, protagonista do romance “O Túnel”, de Ernesto Sabato. Gosto do fato dele ser só um nome próprio e não algo que aponte para um ou outro gênero. “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J.D. Salinger, foi um livro muito importante na minha juventude. Um livro que terminei de ler há pouco tempo e gostei muito foi “Uma Confraria de Tolos” de John Kennedy Toole. Nunca escrevi um livro. Já escrevi uma quantidade de contos que poderiam ser reunidos numa publicação, mas nem acho que eles têm qualidade para tal. Existem contos meus em nove antologias diferentes, quase todas frutos de concursos literários. Sou Auxiliar Administrativo. Tirando a escrita, no campo artístico, sou péssimo em tudo. A menos que considerem comer muito uma arte. Sobre inspiração para a escrita, não dá para ser muito específico nessa resposta. Pode ser algo muito sério e pessoal ou uma besteira qualquer, tudo pode servir de gatilho para a escrita. Minha meta como escritor: quero o Prêmio Nobel, o Jabuti e o Camões. E quero agora! Estou brincando. Na verdade, se eu terminar de escrever todos os episódios de uma Web Série que estou planejando publicar em breve já está ótimo. Não sei responder se mereço ganhar. Não me acho melhor do que ninguém. Mas espero que os jurados achem! 

ANIMA BREVIS

Moro no Distrito Federal, Brasília. Me inscrevi neste concurso porque queria experimentar neste gênero. A escolha do pseudônimo - Anima brevis -, alma breve, ou mente breve, foi uma forma que encontrei de me referir à história de um miniconto. Breve, mas com alma, com mente. Nossa... Livros da minha vida seria mais apropriado, bem no plural. Mas eu tenho uma relação especial com Machado, com Drummond e com Clarice, em mais de uma obra. Dentre os estrangeiros, criei uma ligação especial com o livro “Como Água para Chocolate”, depois que o li em espanhol — creio que é por isso que algumas pessoas dizem que um livro sempre perde ao ser traduzido. Mia Couto tem me ocupado bem a leitura, também. Já escrevi dois livros: um de contos, um de crônicas. Participo de quatro antologias: duas de poesia, duas de contos. Trabalho com Relações Públicas, que é uma das áreas da Comunicação (embora tenha muita gente sem a formação superior usando esse nome quando atua como recepcionista, promotores e afins). Além de escrever, não desenvolvo nada, nada na área artística. Gostaria de ter mais dons, mas não tenho. Estudei sete anos de piano clássico e não toco mais nada. Só mantive o ouvido apurado para afinações ou desafinações. Eu costumo ler textos em saraus e sou boa de interpretação até, mas não chamo isso de "outra coisa no campo artístico" (é que já fiz teatro e declamação, quando era adolescente, mas não faço mais). Tudo me inspira a escrever. Gente, planta, bicho, nuvem, lua, dor, injustiça. Qualquer coisa pode ser material pra texto. Inspiração? Tenho. Mas acredito muito em transpiração, igualmente. Trabalho um texto, às vezes, para que fique menor, maior, menos pesado, mais intenso, mais culto, mais coloquial. Minha meta como escritora: ser lida por muita gente. Ganhar reconhecimento nacional. Escrever cada vez melhor.
Todo o mundo que entra num concurso entra para competir e tentar vencer. Eu estou buscando fazer o melhor que posso. Fazendo o melhor, mereço vencer. Mas não é o que merecemos todos os que estamos tentando?

RAMON RUFO

Moro em Riachão do Jacuípe, Bahia. Inscrevi-me no Concurso pelo prazer do desafio e por gostar deste gênero textual. O pseudônimo, além de ser sonoramente bonito, é uma homenagem a dois autores: o “Ramón” de Juan Ramón Jiménez (Nobel de literatura), e “Rufo”, de Juan Rulfo (com L). O livro da minha vida é “Todos os Fogos o Fogo” do argentino Júlio Cortázar e o atual de cabeceira é “O longo adeus” de Raymond Chandler, que, aliás, está comigo via empréstimo, preciso terminá-lo o quanto antes. Já escrevi quatro livros, três publicados e um no prelo, e participo de três antologias. Sou professor, escritor e faço vídeos de humor nos fins de semana (em parceria), os quais são publicados num canal específico do Youtube. A inspiração pode vir de todo lugar e de lugar nenhum. De tudo e de nada, principalmente “do nada”. Quando inspirado, costumo escrever sobre o cotidiano, sobre coisas que eu observo, ou finjo observar. Talvez aí resida o grande desafio deste concurso: criar minicontos dentro de propostas específicas. A minha meta como escritor é ser um bom escritor. Parece simplório, mas escrever bem é uma das tarefas mais dificultosas que existe. Por vezes, as ideias estão todas lá, nos sorrindo como uma menina na janela, e simplesmente não tomam forma, escapam por entre os dedos. Venho escrevendo minicontos há quatro anos e acredito que a experiência no gênero me dê uma leve vantagem no I Concurso de Minicontos Autores S/A.

REGIS GUERRA

Moro em Curitiba, Paraná. Inscrevi-me nesse concurso porque costumo escrever textos breves e achei que seria uma boa oportunidade para por a prova a qualidade do que produzo. Escolhi este pseudônimo baseado em uma personagem que criei uma vez: Regina Guerra. Significa rainha guerra ou rainha da guerra. Acho que é um nome forte. Como precisava de um pseudônimo, lembrei desse nome e procurei fazer uma versão masculina. Um livro muito importante para mim é “A educação pela pedra”, de João Cabral de Melo Neto. É um patamar poético que invejo e trabalho para atingir esse nível de rebuscamento na forma e no conteúdo algum dia. Acredito que ainda estou longe. Mas, meu atual livro de cabeceira é “As cidades invisíveis” do Italo Calvino. Já escrevi um livro de poesias, publicado este ano. Por enquanto, é o único. No ano passado participei de uma antologia. Eu trabalho como musicoterapeuta em uma instituição que atende crianças e adolescentes em sofrimento psíquico. Também trabalho na encadernadora que pertence à minha família. Estudei música por alguns anos. E comecei a escrever para colocar letra em algumas melodias que criava. Cheguei até a compor peças instrumentais quando estava mais envolvido com o estudo de piano erudito e, em seguida, de violão popular. Mas a escrita tomou o lugar dessas outras práticas. Hoje só toco por hobby. Quando criança, escrevia por brincadeira. Meu pai corrigia os meus textos, isso despertou em mim uma autocrítica com relação à forma. Algo que eu procuro aperfeiçoar obsessivamente – reescrevo meus textos diversas vezes. Sou uma pessoa tímida e escrever me dá possibilidade para tentar comunicar aos outros minhas observações sobre esse mundo. Algo que, para mim, é mais difícil de fazer oralmente. Acho que é essa possibilidade, excluída da interação oral e em tempo real, de trabalhar e retrabalhar o texto antes de mostrar para alguém, que me impulsiona a continuar escrevendo. Acho que preciso compartilhar minhas observações com as pessoas. E a escrita me permite isso. Eu tenho o objetivo de, por meio da escrita, consolidar um público que me acompanhe, com o qual eu possa compartilhar as minhas produções. Um público que as aprecie. Fiquei muito feliz de estar entre os 48 escolhidos. E mais ainda de estar entre os 20. Isso já me diz que talvez meus textos tenham algum valor. Acho que posso vencer porque cheguei até aqui. Acho que devo, porque me dedico à escrita. Se não achasse nada disso, me inscrever no concurso seria um ato de futilidade.      

VOTO DO PÚBLICO

         Esta será a última oportunidade do público escolher o seu favorito! Vote em quem você acha que MERECE VENCER O CONCURSO. O mais votado receberá 0,5 pontos de bônus!
         Mas lembrem-se: votos válidos somente pela Conta do Google!
         A votação se encerra amanhã, sexta-feira, ao meio dia. Portanto, corram!


         AMANHÃ, SEXTA-FEIRA, SERÁ PUBLICADO O RESULTADO OFICIAL DO I CONCURSO DE MINICONTOS AUTORES S/A. FIQUEM SUPER ATENTOS! QUEM VAI VENCER?

AUTORES S/A

PATROCÍNIO: EDITORA PENALUX / SELO MICROLUX

terça-feira, 4 de junho de 2013

COMENTÁRIOS E NOTAS DA 1º ETAPA DA FINAL

É CHEGADA A HORA DE DECIDIR...
QUAIS AUTORES ALCANÇARÃO O TOPO DO

I CONCURSO DE MINICONTOS AUTORES S/A?

FIQUEM LIGADOS: ATÉ AS 23:00 HORAS DE HOJE, ESTAREMOS DIVULGANDO, GRADUALMENTE, OS COMENTÁRIOS DE NOTAS DOS JURADOS. AO FINAL DE TODAS AS NOTAS APRESENTADAS, POSTAREMOS O RANKING OFICIAL.
        
         FORAM 03 JURADOS CONVIDADOS!

         Vamos começar com o voto popular e com os pareceres dos jurados responsáveis pelas equipes, os quais concederam 01 ponto bônus a um de seus pupilos.
        
RESULTADO DO VOTO DO PÚBLICO

         Conforme previmos no último post, o autor mais votado pelos comentários receberia, de bônus, 0,5 pontos. E, numa virada memorável, o autor que será agraciado com esta pontuação será: RAMON RUFO.
         Veja, abaixo, como ficou o somatório:
        
RAMON RUFO – 5 VOTOS.
CASTEL – 4 VOTOS.
REGIS GUERRA – 4 VOTOS.
HITCHCOCK – 4 VOTOS.
ANIMA BREVIS – 3 VOTOS.
QUARTZO ROSA – 1 VOTO.


EQUIPE OS CONTIDOS
JURADO: MARCOS PASCHE

Pseudônimo: Castel
Título: Mais e Mais

Comentário de Marcos Pasche: Texto criativo e exato. Mostra que o tudo não é tão tudo assim, e que o jogador em questão não perdeu, de fato, tudo, uma vez que a razão da totalidade se manteve.

Pseudônimo: Anima Brevis
Título: Politicamente incorreto

Comentário de Marcos Pasche: Faz uma interessante quebra de expectativa ao final. A fim de aumentar a criatividade do texto, sugiro alguma leve alteração do título.

PONTO BÔNUS

Comentário prévio: Ambos os textos estão bem escritos, principalmente por "jogarem" de modo interessante com a proximidade entre o que parece e o que vem a ser de fato. Como devo conceder um ponto a apenas um autor, escolho Castel, pela exatidão da brevidade. Não que, para mim, a concisão seja um valor em si, mas no caso de "Mais e mais" a dicção resumida se casa bem àquilo que deveria ser e que foi dito.

1,0 PONTO BÔNUS VAI PARA: CASTEL


EQUIPE RAPIDINHOS
JURADO: ANDRÉ SANT’ANNA

Pseudônimo: Mutante
Título: Fome de jogo

Comentário de André Sant’Anna: Durante o concurso, "Mutante" passou por altos e baixos. Ele tem um texto curto, objetivo, com boas ideias. Mas, às vezes, como neste caso, ficou apenas no jogo de palavras.

Pseudônimo: Ramon Rufo
Título: O azar é dos expulsos

Comentário de André Sant’Anna: Não é o melhor dos minicontos apresentados pelo Ramon Rufo até agora. Mas ele continua usando bem o formato, usando poucas palavras para sugerir histórias interessantes.

1,0 PONTO BÔNUS VAI PARA: RAMON RUFO


EQUIPE MAX MINIS
JURADA: LEILA MÍCCOLIS

Pseudônimo: Juliano Monterroso
Título: Neutralizado

Comentário de Leila Míccolis: Uma temática muito em voga: drogas de todos os tipos, entorpecentes a granel, inclusive para os atletas, que desmistificam a imagem que se fazia deles — de  pessoas fortes e saudáveis. Hoje, miau miau não é mais voz de gatos, ecstasy é comprimido que fabrica êxtases,  heroína deixou de ser feminino de herói, e infelizmente há cada vez mais craques de craks, em término de "carreira".

Pseudônimo: Hitchcock
Título: Game Over

Comentário de Leila Míccolis: Só na separação, muitas vezes, é que alguém percebe que o amor não passou de atividade lúdica, em vez de ser uma troca; que a convivência do casal baseou-se apenas em em estratégias e lances planejados, e que a aposta foi feita sempre em cima de mentiras, ilusões, logros e ardis.  Eis uma temática universal: a consciência tardia de que vida a dois não é um jogo, e que ninguém ganha quando ambos se perdem.

1,0 PONTO BÔNUS VAI PARA: HITCHCOCK


EQUIPE INSÓLITOS
JURADO: PAULO FODRA

Pseudônimo: Regis Guerra
Título: Cabaré

Comentário de Paulo Fodra: Bela apropriação do tema, procurando um viés menos óbvio, ainda que bastante literal. Tem velocidade, subtexto e um espaço narrativo bem delineado. O título conversa com o texto agregando contexto, sem redundar.

Pseudônimo: Quartzo Rosa
Título: Jogada Final

Comentário de Paulo Fodra: Esse microconto tem uma premissa boa, e deixa uma questão poderosa em aberto: é possível mesmo sair ganhando na última partida do jogo da vida? No entanto, falta algo aqui. Algo que poderia ser resolvido, por exemplo, com um título mais bem pensado, pois o proposto fala de algo que está implícito no texto, não trazendo nenhuma pista ou nova informação. Como se dispõe de bem pouco espaço para trabalhar, cada palavra assinalada precisa ter a sua função no contar da história.

1,0 PONTO BÔNUS VAI PARA: REGIS GUERRA



COMENTÁRIOS E NOTAS DOS JURADOS CONVIDADOS

         Os jurados convidados da semana foram: Samir Mesquita, Marcos Bassini e Homero Gomes. Todos eles são escritores. Samir Mesquita, em específico, é autor de minicontos que já são famosos no cenário literário brasileiro. Vamos agora conhecer um pouco sobre eles:

        
Samir Mesquita, autor dos livros de microcontos Dois Palitos e 18:30. Participou das antologias Contos de Algibeira (Editora Casa Verde) e Moscas (Dulcinéia Catadora) e de exposições de literatura em novos suportes e poesia visual no Brasil, Argentina e Itália.

Marcos Bassini é músico, compositor, roteirista e redator com passagens por agências como Artplan, McCann-Erickson e NBS.

Homero Gomes nasceu em Curitiba/PR, em 1978. É escritor. Autor de Sísifo Desatento (contos) – finalista do Prêmio Sesc de Literatura, edição 2007 - e do romance Tempo do Corpo. Além de outros trabalhos literários, em diversos gêneros. Foi colaborador de Rascunho, Cronópios, Vaia, Cult, Germina Literatura, Palpitar, Ficções, Escritoras Suicidas, Rapadura e TriploV (Portugal), além de ter sido colunista-fundador do blogue coletivo O Bule. Atualmente, é editor dos blogs Paralelo Um - destinado ao público juvenil, onde o leitor poderá acompanhar a escrita da novela Paralelo Um- e deste JAMÉ VU, espaço onde - além das colaborações de outros escritores e leitores - as narrativas do livro homônimo serão publicadas. É colunista nos portais Página Cultural - onde publica ensaios, críticas e crônicas - e Mundo Mundano - local onde também publica sua ficção -, também é um dos correspondentes do Musa Rara: Literatura e Adjacências.

Pseudônimo: Juliano Monterroso
Título: Neutralizado

NOTA: 8,5
Samir Mesquita: O autor subverte a temática proposta com criatividade, trazendo um problema social de modo inesperado.  

NOTA: 6
Homero Gomes: Fraco jogo de palavras.

NOTA: 6
Marcos Bassini: Inteligente, pegando um jogo, fazendo um jogo de palavras e elaborando uma história em cima.


Pseudônimo: Hitchcock
Título: Game Over

NOTA: 8
Samir Mesquita: O conto tem um ritmo interessante e consegue representar o momento de um final de relação de modo bastante criativo.

NOTA: 5
Homero Gomes: Muito clichê.

NOTA: 6
Marcos Bassini: A vida como um jogo de cartas. Bateu.

Pseudônimo: Mutante
Título: Fome de jogo

NOTA: 7
Samir Mesquita: O conto consegue construir uma narrativa potente, contudo fornece informações que o leitor poderia concluir por si só. Em um microconto, deve-se sempre se atentar ao que há de excesso. 

NOTA: 7
Homero Gomes: Se resume ao ‘jogo’ de sentido, apenas. Não convence.

NOTA: 5,5
Marcos Bassini: Se o tema é jogo, jogos de palavras, claro. Inteligente.

Pseudônimo: Ramon Rufo
Título: O azar é dos expulsos

NOTA: 7,5
Samir Mesquita: O conto tem uma construção complicada e que nada acrescenta ao enredo e nem consegue trazer na forma algo que torne o texto mais impactante.

NOTA: 6
Homero Gomes: Como miniconto é fraco.

NOTA: 6
Marcos Bassini: Sorte a dos rapazes e a do autor, que conseguiu dizer muito em poucas palavras.

Pseudônimo: Castel 
Título: Mais e Mais

NOTA: 9
Samir Mesquita: O autor conseguiu construir de modo bastante resumido e impactante uma história e ainda trazer um drama vivido pelo personagem.

NOTA: 7
Homero Gomes: Razoável.

NOTA: 7
Marcos Bassini: Respeitando o fato de ser micro, em duas linhas sabemos que esta história de vício não tem fim.


Pseudônimo: Anima Brevis
Título: Politicamente incorreto

NOTA: 8,5
Samir Mesquita: O autor consegue guiar o leitor em uma direção e o surpreender com uma última frase “matadora”.  Acredito que as frases poderiam ser construídas de modo mais direto e economizando palavras, o que traria ao texto um maior impacto.

NOTA: 8
Homero Gomes: Bom trabalho com as palavras e sentidos possíveis. Atual.

NOTA: 5,5
Marcos Bassini: É bom ser politicamente incorreto. E mais jogos de palavras, já que falamos de jogo.

Pseudônimo: Regis Guerra
Título: Cabaré

NOTA: 8
Samir Mesquita: O conto faz um feliz uso do jogo de palavras, constrói uma narrativa, contudo sem um final impactante.

NOTA: 6
Homero Gomes: Razoável, mas lugar-comum.

NOTA: 8
Marcos Bassini: Inteligente. Uma linha bastou para vermos toda a história. Jogou com as palavras em benefício da concisão.

Pseudônimo: Quartzo Rosa
Título: Jogada Final

NOTA: 7,5
Samir Mesquita: O conto chama atenção pelo jogo de palavras, contudo não dá ao leitor algo mais consistente para completar a história.

NOTA: 7
Homero Gomes: Não está bem resolvido.

NOTA: 5,5
Marcos Bassini: Importante conseguir ser breve. Essa partida mostra a chegada de um bom autor.


RANKING CLASSIFICATÓRIO

1º CASTEL – 24 PTS.
2º REGIS GUERRA – 23 PTS.
3º ANIMA BREVIS – 22 PTS.
4º RAMON RUFO – 21 PTS.
5º JULIANO MONTERROSO – 20,5 PTS.
6º HITCHCOCK – 20 PTS.
7º QUARTZO ROSA – 20 PTS.

8º MUTANTE – 19,5 PTS.


AOS QUE NÃO FORAM CLASSIFICADOS: NOSSOS SINCEROS AGRADECIMENTOS. VOCÊS FORAM GUERREIROS POR TEREM CHEGADO ATÉ AQUI. ESTE É UM CONCURSO DIFÍCIL, QUE TESTA O ESTADO PSICOLÓGICO DO AUTOR, O CANSAÇO, A CAPACIDADE DE PRODUZIR EM POUCO TEMPO, O SABER ENCARAR TODO TIPO DE CRÍTICA...
SINTAM-SE VANGLORIADOS.

E AOS 04 FINALISTAS...

LUTEM COMO NUNCA AGORA!

PARABÉNS A:

CASTEL (EQUIPE OS CONTIDOS)
ANIMA BREVIS (EQUIPE OS CONTIDOS)
RAMON RUFO (EQUIPE RAPIDINHOS)
REGIS GUERRA (EQUIPE INSÓLITOS)

APENAS 01 MINICONTO VAI DECIDIR A VIDA DE VOCÊS NESTE CONCURSO.


VALE LEMBRAR: O AUTOR CASTEL, POR TER CONQUISTADO O 1º LUGAR NESTA ETAPA, ENTRA NA FINALÍSSIMA JÁ COM 01 PONTO BÔNUS.

TEMA DA SEGUNDA E ÚLTIMA ETAPA DA FINAL

         Como foi dito anteriormente, o tema da Finalíssima será LIVRE, ou seja: autores, vocês estão liberados! Arrasem, façam o melhor que puderem para conquistarem este certame. Mas lembrem-se: o limite de palavras será de até 150.
         Caprichem! O prazo para envio será curtinho feito um miniconto: até amanhã, quarta-feira, às 23:00 horas. O resultado final será postado, gradualmente, na sexta-feira.
         Boa sorte aos 04 que seguirem para a etapa derradeira!

ATÉ SEXTA-FEIRA!!!!!!!!!!!!!!!

         AUTORES S/A

         PATROCÍNIO: EDITORA PENALUX / SELO MICROLUX



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